MAZE RUNNER – CORRER OU MORRER: O LIVRO QUE VIROU FILME

Por Tifanny Valente

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Este espaço do nosso blog, “críticas” (e “livros vs filmes” também), é recheado de spoilers. Aconselho a não continuar lendo este texto se você é uma das pessoas que odeiam ler essas informações sobre um filme/livro antes de ter lido ou assistido. Mas, para quem não tem “frescura” com isso e quer saber das diferenças de um e outro (mesmo depois de ter lido e/ou assistido), continue lendo que esse texto é o foi feito pra você.

Recentemente terminei de ler “Maze Runner: Correr ou Morrer”, de James Dashner, o primeiro volume de uma série que totalizam cinco obras literárias criadas por ele. Depois do sucesso que fizeram, no ano de 2014 foi parar nas telonas dos cinemas a adaptação do primeiro livro que também teve uma recepção bastante positiva pelos críticos e fãs. O segundo volume da série literária, “Prova de Fogo” (“The Scorch Trials”), vai ganhar uma adaptação este ano (2015) com lançamento previsto para o dia 17 de setembro.

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Vi o filme primeiro e fiquei super empolgada com a história. Achei fantástica! No Natal de 2014 ganhei um box com todos os livros da série. Li logo o primeiro volume com bastante ansiedade para saber das diferenças entre um e outro. Mais uma vez o livro me deixou sem fôlego, sendo muito melhor do que a obra literária, com certeza. Mas quando parei para escrever esse texto, percebi que as mudanças feitas para o filme não foram tão desnecessárias assim. Na verdade, a adaptação fez com que a história ficasse mais fácil de entender para quem nunca leu o livro. Eu vou explicar melhor.

Livro vs filme

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1. Thomas não se lembra do próprio nome logo: No filme ele demora a recordar até do próprio nome, tendo que passar por todo um processo para lembrar. Ocorre até uma briga dele com Gally. Já no livro ele se lembra desde o começo do seu nome, mesmo que outros insistam em chamá-lo por alguns apelidos. E em falar nisso, no longa Teresa não chama Thomas de “Tom” e nem Newt chama ele de “Tommy”, como no livro. Senti falta disso.

2. Tempo de existência da Clareira: Alby (o mais velho ainda vivo lá) está na Clareira por dois anos no livro, já no filme o período é de três anos.

3. Teresa fala o nome de Thomas ainda na Caixa (no filme): Para simplificar o entendimento da história no filme, foi importante essa mudança. Para quem ainda não leu o livro, ficou mais fácil de entender a conexão que há entre Thomas (Dylan O’Brien)  e Teresa (Kaya Scodelario).

4. Thomas e Teresa não tem telepatia (no filme): Essa mudança decepcionou bastante os fãs. Wes Ball (diretor) e James Dashner (autor da obra) contaram que fizeram essa mudança para não deixar o filme tão clichê. Em uma entrevista ao site da MTV, Ball tentou explicar melhor: “A única coisa que eu poderia fazer era que esses dois personagens ficassem se olhando com vozes saindo por fora da cena, mas isso não iria funcionar”. Para continuar fazendo sentido à conexão dos dois personagens, algumas cenas foram presenciais (ao invés de serem telepaticamente como no livro).  Ball e Dashner também reforçaram que a adaptação do segundo livro terá mais cenas que mostram mais essa conexão entre Thomas e Teresa.

5. O tempo do coma da Teresa é menor: Para quem ficou frustrado com a falta da telepaia entre Thomas (Dylan O’Brien)  e Teresa (Kaya Scodelario), minimizar o coma da garota fez com que ela aparecesse mais no filme, fazendo mais parte da história. Ou seja, no longa, Teresa tem uma participação maior. Ball também falou na entrevista dada ao site da MTV sobre esse tópico. “Com Teresa, a complicação é que nós temos seis ou sete personagens principais, então você sabe, dar a todos o seu devido tempo foi um verdadeiro desafio, mas não tinha como que nós deixássemos a Teresa aparecer apenas dormindo na cabana pela metade do filme”, explicou o diretor.

6. Ben é um Corredor: Quem leu o livro primeiro, ficou se perguntando: Como Ben foi picado já que ele não era um Corredor? James contou que queria mostrar com isso um sinal que as coisas estavam mudando, ou seja, um Verdugo deve ter entrado na Clareira. Já Wes preferiu colocar Ben como Corredor, para deixar as coisas menos confusas. O filme menciona os diferentes cargos disponíveis, mas não perde muito tempo contando sobre o dia-a-dia na Clareira para não ficar monótono.

7. A mudança do Labirinto: No livro os garotos dizem a Thomas que o Labirinto muda de forma todos os dias. Para ficar mais fácil de entender, no filme fizeram uma cena cheia de ação com Thomas e Minho correndo e tentando passar entre várias seções do Labirinto.

8. Os mapas: A ideia para representar os mapas no filme foi muito boa: No lugar deles, coloraram maquetes! Dessa forma ficou bem mais legal visualmente de passar a ideia de todo o estudo do local que os Clareanos estavam fazendo.

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9. Os Verdugos– No livro, os Verdugos são chamados de besouros, mas ao contar como eles aparentemente são, James os descrevem como um tipo de lagarto gigante com algumas patas. Já Wes contou que fez uma mudança na aparência dos Verdugos, fazendo eles mais robóticos, e também mais monstruosos. “Não foi fácil tirar algumas linhas da descrição do livro e visualmente trazer uma criatura que seria igualmente icônico e aterrorizante, mas espero que os fãs fiquem felizes”, explica Ball.

10. Thomas não é picado propositalmente – No filme ele pega um ferrão de um Verdugo que já morreu e se apunhala. A Transformação não é muito mostrada no filme, porém há cenas que contam que algumas pessoas foram picadas. Durante a transformação de Thomas, é mostrado no longa um flashbacks do passado deles no laboratório.

11. O Buraco dos Verdugos– No livro esse buraco fica do fora de um penhasco, porém no filme isso foi modificado, mas há o buraco. Ball contou sua visão a respeito da mudança. “No livro eles encontram o precipício muito rápido. Oh, isso é interessante, isso é diferente. Você meio que sabia pra onde isso ia. O buraco invisível era demais pra mim. E em segundo lugar, eu realmente queria que o Thomas encontrasse o caminho dele lutando contra seu maior medo, os Verdugos. (…) Eu queria que o Verdugo fosse capaz de fazer algo. Na verdade matar um Verdugo foi um passo necessário a busca de uma saída. Isso foi mais semelhando no conceito do que no visual, mas sentimos que essa era a escolha certa a fazer”, falou o diretor em entrevista à MTV.

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12. O código– Essa foi uma mudança totalmente desnecessária, em meu ver. No livro os códigos eram palavras que os garotos tiveram que quebrar a cabeça para descobrir quais são. (Para isso, Thomas deixou ser picado de propósito por um Verdugo para passar pela transformação, na tentativa de obter algumas lembranças que servissem como pistas para saírem do labirinto. Com essas novas memórias, ele descobriu que o labirinto quando muda forma uma letra, e através dos mapas, eles tiveram como formas palavras para decifrar o código). Já no filme o código é formado por números! Em uma cena quando eles estão no labirinto arriscando tudo para escapar de lá, podemos ver Teresa digitando em uma tela o número 7  (esse número está em um dispositivo que Minho encontrou). Esses números do código são encontrados na parede das seções.

13. A morte de Chuck: Essa cena foi tão triste e forte quanto na obra literária. Fiquei arrasada tanto quando li, tanto quando assisti. Porém, no filme a arma usada para matar Chuck é um revolve – diferente do livro. Mas é uma cena bem chocante.

14. O final– No filme fizeram com que os Clareanos fugissem de helicóptero. No livro eles saem de lá dentro de um ônibus. Isso permite uma visão melhor do mundo pós-fulgor e como Wes Ball explicou na entrevista porque fez essa troca de transporte. “Você precisava entender o tamanho e a amplitude do Labirinto no final, dai o porquê da escolha do helicóptero, só aí você poderia realmente ver a coisa toda pela primeira vez. Visualmente isso é muito mais emocionante, eu acho (…). Se eles (Clareanos) não pudessem ver o tempo real do mundo, eles simplesmente não conseguiriam entender”, contou.

15. Outros detalhes: Senti falta da explicação dos nomes que foram dados para eles. Quem leu o livro sabe que os nomes que eles lembram na verdade não são os nomes verdadeiros. Thomas, por exemplo, é de Thomas Edison, e Newt é de Isaac Newton. Os demais também tem nomes de gênios da história.

Mas o filme foi impecável com os efeitos especiais! Ao rever a adaptação cinematográfica, fiquei maravilhada! O início do longa fez com que eu me sentisse dentro do livro. Foi bem fiel! Sem esquecer de falar de algumas palavras como “mértila” e “trolho” que é tão falada no livro e que eles tiveram o cuidado especial de colocar no filme também. Foi muito amor! Vejam o filme, depois leiam o livro. Se puderem, vejam o filme mais uma vez quando terminar a leitura. É a minha dica.

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