CONFIRA O SEGUNDO CONTO DE A MAGIA NA AMÉRICA DO NORTE, POR J.K. ROWLING

Por Tifanny Valente

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Saiu no site Pottermore o segundo conto da série “A Magia na América do Norte”, escrito pela amada autora britânica, J. K. Rowling. Para quem ainda não sabe, os contos se passam no mesmo universo de Harry Potter, com o intuito de aprofundar mais sobre a origem da magia na América do Norte, servindo como uma complementação  para o próximo filme, “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que vai estrear nas telonas no dia 17 de novembro deste ano.

Ontem, publiquei o primeiro conto aqui para vocês também traduzido. O de hoje, traz a tradução do site Potterish. Os outros próximos contos serão lançados no dia 10 e 11 de março, às 11h da manhã (horário de Brasília), no site Pottermore. Fiquem ligados que estarei acompanhando cada um para postar a versão em português para vocês.

Confira o segundo conto traduzido de A Magia na América do Norte:

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Do século XVII em diante

“Quando os europeus “No-Maj”começaram a emigrar para o Novo Mundo, mais bruxas e bruxos de origem europeia também vieram a se fixar na América. Eles, assim como os emigrantes “No-Maj”, tinham diversos motivos para deixar seus países de origem. Alguns foram movidos pelo senso de aventura, mas a maioria estava fugindo: às vezes da perseguição dos “No-Maj”, às vezes de algum outro bruxo, mas também das autoridades bruxas. Estes últimos procuravam se misturar com o crescente afluxo de “No-Maj”ou se esconder entre a população bruxa indígena, que costumava acolher e proteger seus irmãos europeus.

Entretanto, desde o princípio ficou claro que o Novo Mundo era um ambiente muito mais hostil para bruxos e bruxas do que o Velho Mundo. Havia três razões principais para isso.

Primeiro, assim como os imigrantes “No-Maj”, eles viviam em um país com poucos confortos, exceto pelo que eles mesmos tivessem construído. Em sua terra natal, bastava visitar o boticário para encontrar todo o necessário para o preparo das poções; agora, precisavam desvendar plantas mágicas desconhecidas. Nenhum artesão de varinhas havia sequer se estabelecido, e a Escola de Magia e Bruxaria de Ilvermorny, que um dia figuraria entre os maiores estabelecimentos mágicos do mundo, não passava na época de uma cabana rústica com dois professores e uma dupla de irmãos órfãos como alunos.

Segundo, as atitudes dos imigrantes “No-Maj”faziam parecer encantadoras as populações não mágicas da terra natal de grande parte dos bruxos. Como se não bastassem as guerras com a população indígena, o que foi um duro golpe para a unidade da comunidade mágica, os imigrantes, devido a suas crenças religiosas, também se tornaram profundamente intolerantes a qualquer sinal de magia. Os puritanos adoravam trocar acusações de ocultismo ao mais ínfimo indício, por isso bruxos e bruxas do Novo Mundo agiam bem ao manterem extrema cautela.

O último – e provavelmente mais perigoso —– problema encontrado pelos bruxos que chegavam à América do Norte eram os Purgantes. Como a comunidade bruxa norte-americana era reduzida, dispersa e reservada, não possuía ainda nenhum mecanismo próprio para manutenção da ordem. Um vácuo que acabou preenchido por um grupo inescrupuloso de bruxos mercenários de muitas nacionalidades diferentes, que formaram uma temida e brutal força-tarefa comprometida em caçar não apenas criminosos, mas qualquer um que pudesse render algum ouro. Com o passar do tempo, os Purgantes se tornaram incrivelmente corruptos: distantes da jurisdição de seus governos mágicos de origem, muitos se entregaram ao autoritarismo e à crueldade de uma maneira injustificável pela missão assumida. Tais Purgantes apreciavam o derramamento de sangue e a tortura, e até mesmo traficaram outros bruxos. Os Purgantes se multiplicaram pela América no fim do século XVII, havendo nesse período indícios de que chegaram ao cúmulo de fazer crer que “No-Maj” inocentes eram bruxos, pois assim recebiam recompensas dos membros crédulos da comunidade não mágica.

Os famosos julgamentos das bruxas de Salém, em 1692-93, foram uma tragédia para a comunidade bruxa. Historiadores bruxos afirmam que, entre os chamados juízes puritanos, havia pelo menos dois Purgantes conhecidos, que se desforravam de desavenças criadas em solo americano. Alguns dos mortos eram de fato bruxos, ainda que absolutamente inocentes dos crimes de que foram acusados. Outros eram simples “No-Maj”que tiveram o infortúnio de serem envolvidos pela histeria e sede de sangue em geral.

Salém foi significativa para a comunidade mágica por razões muito além da trágica perda de vidas. Seu efeito imediato foi a fuga de bruxas e bruxos da América, fazendo também com que muitos outros desistissem de se estabelecer por lá. Tal fenômeno provocou variações curiosas na população mágica da América do Norte, se comparada à da Europa, Ásia e África. Até décadas recentes do século XX, havia menos bruxos e bruxas na população americana em geral do que nos outros quatro continentes. As famílias de sangue puro, que se mantinham informadas pelos jornais bruxos sobre as atividades dos puritanos e dos Purgantes, raramente partiam para a América. Isso significou uma porcentagem muito mais alta de bruxas e bruxos nascidos “No-Maj”no Novo Mundo do que em qualquer outro lugar. Mesmo que tais bruxos e bruxas ainda procurassem casar e formar famílias inteiramente mágicas, a ideologia do sangue puro que permeou grande parte da história da magia na Europa ganhou muito menos impulso na América.

Mas talvez o efeito mais expressivo provocado por Salém tenha sido a criação do Congresso Mágico dos Estados Unidos da América em 1693, antecipando a versão “No-Maj”em cerca de um século. Conhecido por todos os bruxos e bruxas daquele país pela sigla MACUSA (do nome em inglês, “Magical Congress of the United States of America”, em traduzação: “Congresso Mágico dos Estados Unidos da América”), foi a primeira vez em que a comunidade bruxa norte-americana se reuniu para criar leis próprias, estabelecendo efetivamente um mundo mágico dentro de um mundo “No-Maj”, como na maioria dos outros países. A primeira tarefa do MACUSA foi levar a julgamento os Purgantes que traíram sua própria raça. Os culpados de assassinato, tráfico de bruxos, tortura e todos os demais atos de crueldade foram executados por seus crimes.

Mas vários dos Purgantes mais notórios evadiram-se da justiça. Com mandados de prisão internacionais no seu encalço, eles desapareceram permanentemente dentro da comunidade “No-Maj”. Alguns se casaram com “No-Maj”e formaram famílias em que as crianças mágicas pareciam ser depreciadas em favor dos filhos “No-Maj”, para manter o disfarce do Purgante. Vingativos e segregados de seu povo, eles transmitiram a seus descendentes a convicção absoluta de que a magia era real e a crença de que bruxas e bruxos deveriam ser exterminados onde quer que fossem encontrados.

O historiador de magia norte-americana Teófilo Abbot identificou várias dessas famílias nas quais a certeza e o ódio nutrido pela magia era profundo. Acredita-se que as crenças e atividades antimagia dos descendentes das famílias dos Purgantes sejam em parte o porquê de os “No-Maj”norte-americanos serem mais difíceis de enganar e ludibriar do que qualquer outra população. O fato provocou grande repercussão na maneira como a comunidade bruxa norte-americana é governada.”

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